1 - NA PALESTINA
|
|
|
Convento de São Brocardo, no Vale dos Mártires, cujas ruínas foram recentemente descobertas. |
A partir de 1210, contando com a ajuda dos peregrinos, chegou-se a fundar até 15 Mosteiros no Oriente Médio, Tiro, Sarepta, Jerusalém, Monte Líbano, Antioquia, Deserto da Quarentena, Valin da Galiléia, sob a Regra de Santo Alberto, sendo todos eles, subordinados ao Mosteiro do Monte Carmelo Onde existiam :
O Convento de São Brocardo, no Vale dos Mártires, cujas ruínas foram recentemente descobertas.
O Mosteiro Santa Margarida, primeiro de monges gregos e logo de Carmelitas, a uns 5 quilômetros da fonte de Elias: grutas cavadas nas rochas imponentes que fecham o extenso vale.
O Convento do Sacrifício, no lugar em que os arqueólogos assinalaram como o correspondente à grande façanha de Elias.
O Convento atual do Promontório, onde Santa Helena construíra uma Basílica e onde agora se levanta o formosíssimo templo com a efígie da Grande Milagrosa e a gruta de Elias.
Nos cimos provocadores de êxtases, e nos ondulados da santa Montanha palestiniana, viveram todos esses homens, rodeados de uma natureza esplêndida e apropriada para elaborar o mel da contemplação. A quietude do lugar e o silêncio fecundo os convidava para isso. A Regra que mais tarde redigiu Santo Alberto de Jerusalém e o livro da instituição dos monges são dados precisos do seu viver.
A historiografia tradicional, mais piedosa que crítica, nos recorda aqueles solitários com as mais fortes cores. Homens santos e penitentes unidos a Deus. Carmelitas que sofreram o martírio; os últimos morreram no Vale dos Mártires; o Mosteiro da santa Montanha foi incendiado e os últimos eremitas que ainda viviam junto à fonte de Elias foram assassinados, enquanto cantavam a SALVE REGINA. ESTA, ENTOADA ATÉ HOJE NOS CARMELOS DO MUNDO INTEIRO.
2 - EMIGRAÇÃO - OCIDENTE
No princípio parecia que a Ordem não sairia da Palestina, contudo o recrudescimento dos conflitos entre os cruzados e muçulmanos a partir desta época, obrigou os Carmelitas a emigrar para o Ocidente. A Sicília foi a primeira nação da Europa , que conheceu Carmelitas.
A maior parte dos Carmelitas foi se estabelecer em Chipre, Sicília, França e Inglaterra nos anos de 1215 1238. Porém, a emigração definitiva foi no ano de 1291, com a queda de São João do Acre, último baluarte de defesa dos Cruzados na Palestina.
3 - OUTRAS VICISSITUDES
Antes de se consolidar na Europa a Ordem teve que sofrer oposições sistemáticas, por muito tempo e de muitas formas.
Nos novos conventos, os Carmelitas, num primeiro momento, almejaram prosseguir seu estilo de vida eremítico. No entanto, logo perceberam ser isto quase impossível, já que as condições sociais, políticas, econômicas e religiosas da Europa eram bem distintas.
Floresciam e impunham-se então, como modelo alternativo de vida religiosa no Ocidente, as Ordens mendicantes, principalmente a dos franciscanos e dos dominicanos, que se voltavam mais para a atividade apostólica do que para a contemplação. Os Carmelitas, apesar de seu carisma contemplativo, não escapariam da sua influência e, até por uma questão de sobrevivência dentro do cenário religioso da Europa do século XIII, foram incorporando certas características e costumes próprios da vida ativa. Abandonando os desertos, os Carmelitas passaram a estabelecer seus conventos nas cidades, onde desempenhariam tarefas apostólicas e pastorais. O antigo eremita que deveria permanecer na sua cela, meditando dia e noite na lei do Senhor, como determinava a Regra de santo Alberto, cedia lugar para o religioso que dividia seus momentos de oração com a pregação, o estudo e a cátedra universitária.
A Ordem atribuiu como sendo uma intervenção especial de Maria, a entrega do Escapulário a São Simão Stock, no dia 16 de julho de 1251. Iniciou-se então a devoção ao ESCAPULÁRIO DO CARMO. A Ordem começou a expandir-se num ambiente favorável. A causa que favorecia o desenvolvimento na Europa era o culto a Maria, muito agradável aos fiéis.
Em 1247, sendo geral da Ordem, Simão Stock, Os carmelitas obtêm do Papa Inocêncio IV a adaptação da Regra primitiva, que regularizava as mudanças no seu estilo de vida caracterizando institucionalmente a Ordem como MENDICANTE.
ORDENS MENDICANTES:
Estes deram origem à família que entre outras, apresentavam as seguintes notas:
Por mais que se distanciassem de seu carisma fundacional, os carmelitas desse período esforçaram-se por identificar-se como Ordem contemplativa, buscando inclusive revalorizar suas raízes, estabelecendo sua origem histórica nos profetas do Antigo Testamento que habitaram o Monte Carmelo. Ao longo do século XIII, muitos Carmelitas reivindicaram um retorno às origens eremíticas da Ordem, lamentando o seu desvirtuamento. No entanto, o seu processo de transformação se desenvolvia irresistivelmente, experimentando notável crescimento durante a segunda metade do século XIII, não igualando em toda a sua história posterior.
No século XIV, muitos Carmelitas começariam a desempenhar atividades nas grandes universidades européias e a assumirem bispados. A ala que defendia o estilo de vida eremítica, mais de acordo com as origens da Ordem, vai perdendo força e influência, e o governo passaria às mãos dos doutores e catedráticos. No fim desse século, a Ordem havia atingido o seu apogeu em termos numéricos, de prestígio intelectual e político, mas, ao mesmo tempo, começava a sofrer um processo de decadência religiosa e espiritual, que se acentuaria no século seguinte.
Nesse período, o relaxamento dos costumes e do espírito da Ordem, principalmente no referente à VIDA DE ORAÇÃO, À POBREZA EVANGÉLICA E À OBSERVÂNCIA RELIGIOSA, assumiria grandes proporções, muitas vezes sendo justificadas através da própria legislação, modificada com a segunda mitigação da Regra carmelita, em 1432.
Diante disso apareceram movimentos reformadores, que a partir de diversos focos buscavam revigorar a vida religiosa da Ordem, quase propondo a retomada fiel da antiga observância, tal como estava estabelecida na Regra de santo Alberto.
Eleito Geral da Ordem, João Soreth, no ano de 1451, procurou realizar uma reforma geral que, partindo dos Países Baixos, deveria encampar todas as Províncias. Seu alcance, no entanto, foi limitado.
Todos os intentos de reforma fracassaram até que chegou Santa Teresa - no século XVI - e o que não puderam fazer muitos homens o conseguiu uma mulher: REFORMOU A ORDEM DO CARMO. O tronco velho se secou e a herança autêntica dos primitivos carmelitas passou de fato e de direito aos DESCALÇOS.
Portanto temos três regras: a 1ª - a primitiva ninguém a segue; os Descalços seguem a segunda e os Calçados a terceira.
|
Durante três longos séculos, os religiosos permanecem ausentes
da Santa Montanha, No século XVII, no ano de 1631, retornam,
graças ao zelo e aos esforços do Padre Próspero
do Espírito Santo, OCD, ganhando-o para a Reforma Teresiana.
Parece ainda ouvir-se a voz do Profeta Isaías: A SANTIDADE SE ASSENTARÁ NO CARMELO ( Is 32,16) |
||
|
Frei
Próspero do Espírito Santo,ocd
|