MADRE JOAQUINA
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Madre
Joaquina
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Capela
e Convento de N. Sr.ª do Carmo - Porto Alegre
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Como pudemos constatar na história de Madre Jacinta de São José, fundadora do primeiro Carmelo em terras brasileiras, o aparecimento e desenvolvimento do Carmelo Descalço feminino no Brasil, deu-se, em certa medida, de forma semelhante ao caso francês e belga. Sem poder contar com a iniciativa direta da Ordem, muitos colonos que alimentavam o desejo de que se fundassem conventos carmelitas em suas terras, tiveram que constituí-los por conta própria, recebendo quando muito um apoio indireto por parte da Ordem.
Ser carmelita, significava naquela época, voltar à Europa e Madre Joaquina de Jesus, ignorava que há cem anos já existia na cidade do Rio de Janeiro o Convento de Santa Teresa fundado pela carioca, Madre Jacinta de São José.
A Providência divina predestinou a capital de Porto Alegre, cidade da Mãe de Deus, para nela fundar o primeiro Convento de Carmelitas Descalças no Sul do Brasil.
Foi Madre Joaquina de Jesus, alma verdadeiramente devota de Nossa Senhora do Carmo, que, com grande Fé em Deus, coragem e perseverança deu início a esta obra.
Joaquina Isabel de Brito, (Madre Joaquina de Jesus), nasceu em Portugal, na província de Alentejo, aos 15 de janeiro de 1791. Seus pais, o Capitão José de Brito e Dona Rosa Joana Falcate de Gusmão, tiveram cinco filhas e três filhos, entre os quais sobressaiu notavelmente, Joaquina, a primogênita.
Joaquina tinha 16 anos, quando na ocasião da invasão Francesa, toda a família abandonou a Quinta que possuía em Portugal, para não estarem sujeitos ao Governo de Napoleão. Ao saírem viram-se importunados pelos franceses; contudo, milagrosamente, conseguiram embarcar para a Inglaterra, onde penosamente sustentaram a vida, até encontrarem passagem para o Brasil, onde tinham promessa oral de uma herança por parte de um parente, no Sul do país, nas proximidades do Uruguai.
Desembarcaram primeiramente na cidade do Rio de Janeiro, onde viveram uma situação muito aflitiva pois, o Sr. José de Brito, por ter abandonado tudo às pressas, não se dispunha de nenhum soldo para o sustento da família e o pouco que conseguiram levar, foi gasto durante as longas viagens. Foi com trabalho penoso que procuravam o seu sustento e, Joaquina procurou ajudar com o seus trabalhos de costura, pouco remunerado. Passaram tanta necessidade que chegaram a pedir esmolas para acudir às primeiras necessidades.
A situação porém melhorou com a ajuda da Marquesa de Alegrete, que conseguiu para o pai de Joaquina, a entrada para o exército brasileiro. Conseguiram também a posse da herança acima mencionada, mas por pouco tempo, pois o extravio de um documento, causou a desapropriação da mesma.
Desta forma veio ao Brasil, destinada pela Providência Divina para introduzir a Reforma Teresiana em terras Riograndenses.
Saindo fugitivos de Portugal, trouxe Joaquina como único tesouro, as Obras de Santa Teresa de Jesus que serviu a ela e a toda a família de guia espiritual. Apesar de ter um gênio folgazão, entusiasmava-se cada vez mais pela vida de Santa Teresa e pelo “Caminho de Perfeição”. Um dia seu próprio pai lhe questionou: “Como queres ser monja, se gostas tanto de dançar?” Ao que ela respondeu prontamente: “Meu Pai, dê-me hoje um baile e amanhã o Convento”.
Enquanto seu pai estava no exército, Joaquina transformou sua residência em Carmelo. Suas irmãs mais novas quiseram acompanhá-la nas suas orações e penitências, porém tiveram que desistir, não conseguindo imitá-la nas suas austeridades. Tiveram licença da mãe para se vestirem como as Carmelitas mas, não tendo o tecido próprio e nem a possibilidade de consegui-lo, fizeram seus hábitos de tecido azul com o escapulário; cortaram os cabelos sem usarem o véu no princípio, animadas de um único pensamento: chegar o quanto antes ao fim almejado!
Ao voltar o velho militar, suas filhas pediram autorização para continuar a vida começada. O piedoso pai deu licença a Joaquina e a Maria José, mas não às outras mais novas.
Nos acontecimentos políticos da segunda metade do século XIX, D. João VI viu-se obrigado a mandar dois corpos do exército às fronteiras da então Província do Rio Grande do Sul; a um destes corpos, comandado pelo brigadeiro Manoel Marques de Souza, (Conde de Porto alegre), pertencia o Capitão Joaquim José de Brito. Pelo que chegou até nós, depois da tomada de Montevidéu, ele abandonou definitivamente o exército.
Desapropriados da estância herdada, transferiu-se toda a família para Rio Pardo onde veio a falecer e foram sepultados o Sr. Joaquim José de Brito e sua mãe, a Srª D. Rosa Joana Falcate de Gusmão.
Em 1835, tendo falecido seus pais, usavam já o hábito de cor marrom, um lenço branco que lhes servia de touca e um manto branco caindo da cabeça que servia ao mesmo tempo de véu e capa.
Depois da morte de seus pais, as irmãs transferiram sua residência para a cidade de Porto Alegre, onde uniram à sua vida de oração e penitência, o cuidado de muitas crianças pobres no Colégio Nossa Senhora do Carmo, fundado por elas e que ficou conhecido também como Colégio de D. Bibiana.
Enquanto suas irmãs, D. Bibiana, administrava a escola e D. Maria José, ocupava-se dos trabalhos da casa, D. Joaquina podia retirar-se ao seu pobre quarto, onde fechando a porta para tudo o mais, vivia em intimidade cada vez maior com Deus. A vida de Joaquina não era triste e, quando se tratava de divertir as alunas, tinha idéias originais.E ajudava como podia no ensino. Ocorreu um fato importante nesta ocasião: Joaquina dedicou-se a uma menina, com a qual todos os esforços das professoras haviam fracassado e, com sua paciência angelical, conseguiu em pouco tempo, mais do que se esperava. A mãe, reconhecida, deu-lhe uma gratificação de cem mil réis, tornando-se cabedal para dar início à construção de uma capela em honra de Nossa Senhora do Carmo.
Por este tempo, uma grave doença prostrou Joaquina e levou-a às portas da morte. Não se sabe o que se passou em sua alma, mas levantou-se da enfermidade com a firme resolução de começar o que julgava ser vontade de Deus, a construção do Mosteiro. Comunicou o seu plano à sua irmã Maria José que já tinha se associado à sua vida de piedade e penitência e foi em frente sem medo das dificuldades, nem oposições.
A Igreja Riograndense era governada pelo vigário geral, Padre Tomé Luiz de Souza, que era também o diretor espiritual de Joaquina. Este desaprovou o plano da fundação por falta de recursos, pois além dos mencionados cem mil réis, nada mais se possuía. Obediente como era, não voltou a falar no assunto. Durante dois anos tratou seu plano só com Deus na oração, e quando fez nova tentativa, conseguiu contra toda a expectativa a almejada licença.
Deus protegeu a fundação, pois de onde nada se podia esperar veio o auxílio: o irmão da senhora Teresa Joaquina de Carvalho, havia sido testamenteiro de um senhor português, mas nunca se apresentaram os herdeiros. Com o consentimento do confessor, legou D. Teresa estes bens a uma obra pia, escolhendo para este fim a nova fundação, com a cláusula de ser recebida sem dote, uma parenta sua, caso se apresentasse.
Outra benemérita senhora D. Ana do Nascimento ofertou um vasto terreno para construção da capela e do convento. Em 1839, Joaquina podia já dirigir as suas petições aos poderes civis e eclesiásticos, a fim de obter as devidas licenças para um Mosteiro de Carmelitas Descalças, da Reforma de Santa Teresa. As petições foram dirigidas ao Imperador e ao Santo Padre, o Papa Gregório XVI.
Joaquina tinha chegado aos seus 48 anos de idade, até este tempo dedicara sua vida na solidão, em jejuns e penitências. Chegou a hora do trabalho ativo. Pessoas piedosas que conheciam seus planos de edificar uma capela e um Convento a Nossa Senhora do Carmo, ofereceram-lhe seus recursos, conforme suas posses; uma senhora havia encomendado na Bahia, uma estátua de Nossa Senhora do Carmo, para seu oratório, mas contra a seu desejo veio uma de tamanho natural. Ouvindo falar do projeto, ofereceu-a à Madre Joaquina, que saiu a percorrer as ruas da cidade, angariando donativos com o Menino Jesus da dita estátua nos seus braços. Desta sorte, muitas pessoas tornaram-se grandes benfeitores da nova fundação.
O andamento das obras era bastante satisfatório, mas faltava a aprovação das autoridades competentes que aprovavam e favoreciam as obras da Capela, mas não se simpatizavam com um convento de clausura. Dirigiu-se então a Madre Joaquina, em 1845 ao Bispo do Rio de Janeiro, D. Manoel do Monte Rodrigues de Araújo, este louvou e aprovou o seu plano, pedindo-lhe que, quando a obra se achasse em condições de receber novas vocações, avisasse-o, para dar andamento ao negócio.
Não temos a data precisa da inauguração da primeira capelinha, deve ter sido pelos anos de 1845 ou 1846. Pensava-se em construir ao lado da mesma o convento, porém, os padres designados pelo Vigário Geral, para desempenharem o ministério sacerdotal na capelinha desde o dia de sua inauguração, opinaram para que se edificasse antes uma capela mais ampla para acolher a numerosa afluência de fiéis. Madre Joaquina cedeu e então se deu início não ao convento como era seu desejo, mas a edificação da segunda capela, juntamente com a casa para o Convento. Juntamente com sua irmã Maria José, passaram a morar no coro da pequena capela e ativamente dirigia ela mesma os trabalhos da construção. Começaram a aparecer as primeiras vocações para a vida do claustro, e estas, apesar de todas as contradições e do longo tempo de espera, conservaram-se firmes.
Em 29 de junho de 1853, chegou em Porto Alegre o primeiro Bispo do Rio Grande do Sul, D. Feliciano José Rodrigues de Araújo Prates.
Quando tomou posse da Diocese, ainda não estavam concluídas as obras da Igreja do Convento e, Madre Joaquina, não tinha ainda a aprovação dos superiores eclesiásticos; competia a D. Feliciano, determinar o que se faria da obra.
Ao Bispo, parecia bem empregada a capela e a casa construída, para um asilo de órfãos ou recolhimento de senhoras pobres, do que Convento de clausura. A fundadora depois de expor-lhe todas as razões que tinha para que fosse Convento de Carmelitas, via-se como que obrigada a ceder à vontade do superior, mas não a desistir da sua vocação. A construção era toda adaptada para Convento de Carmelitas, com grades, locutórios, coro (capela interna das Irmãs) e rodas (local onde se faz a comunicação com as pessoas de fora da clausura). Durante quatro anos, provou a sua, serva - Madre Joaquina – com pungentes dúvidas de ser ou não aprovada sua obra. Em 04 de maio de 1857, recebe um auxílio do Governo e foram ultimadas as obras da segunda capela de Nossa Senhora do Carmo e no dia 06 de novembro do mesmo ano, foi solenemente inaugurada.
Madre Joaquina determina-se a fixar inteiramente o Convento com clausura, para impedir mais lutas para o futuro e solicita o beneplácito do Bispo e este, conhecendo finalmente ser vontade de Deus a obra de Madre Joaquina, dá o seu SIM! Escolhe para este ato Solene o dia 08 de dezembro de 1857, festa da Imaculada Conceição. Translada a devota imagem de Nossa Senhora do Carmo, da capelinha para a nova capela. Madre Joaquina com sua irmã Maria José e mais 10 companheiras, fazem a sua entrada solene na clausura. D. Feliciano nomeou Madre Joaquina, Priora e assim, deram início ao Noviciado canônico, podendo receber novas vocações, enquanto aguardavam a aprovação do Santo Padre o Papa.
Dom Feliciano vem a falecer cinco meses depois, no dia 27 de maio de 1858. Durante três anos ficou vago o Bispado do Rio Grande do Sul e, Madre Joaquina novamente desamparada, sem ter ainda a aprovação definitiva de sua fundação.
No ano de 1859, Madre Joaquina dirige-se novamente ao Bispo do Rio de Janeiro, D. Manoel, expondo-lhe tudo o que havia feito e sofrido e a situação precária de sua nascente comunidade, por falta do Breve Pontifício. Não se sabe se o Sr. Bispo recebeu este relatório, pois não há nos arquivos do Convento a resposta do mesmo.
No dia 19 de julho de 1861, tomou posse como Bispo de Porto Alegre, D. Sebastião Dias Laranjeiras, sagrado em Roma pelo Papa Pio XI, a 07 de outubro de 1860.
Decorridos poucos dias da sua chegada, este pediu à Madre Joaquina que lhe prestasse conta de tudo o que havia ocorrido, desde o princípio da fundação. Tornando-se grande protetor, alcançando do Internúncio do Brasil, a aprovação canônica do nascente Carmelo de Porto Alegre.
Dois meses antes de sua morte, em setembro de 1862, dirigiu ainda a D. Sebastião a seguinte súplica:
Ilmo. Exmo. e Revmo. Sr. Bispo Diocesano
Joaquina Isabel de Brito e sua irmã Maria José de Brito, fundadoras do Recolhimento de Nossa Senhora do Carmo nesta cidade, e as Irmãs que com elas vivem, desejosas de servirem a Deus com toda a perfeição, vêm respeitosamente implorar da solicitude e zelo de V. Excia. Revma, a graça de tomar sob sua valiosa proteção esta família, cujo único fim, não é outro senão a honra e glória de Deus Nosso Senhor, e exercitar-se nos sublimes preceitos de sua sagrada doutrina e permitir-lhes a profissão de Recolhidas e fazerem seus votos, observando as Regras de Santa Teresa.
No coração paternal de V. Excia. Revma. as suplicantes ousam esperar que acharão favorável acolhimento, a graça e a permissão que imploram, atento o fim a que aspiram e os verdadeiros sentimentos que caracterizam sua vocação e amor ao Redentor do mundo.
Fundadas nesta esperança, humildemente, as suplicantes esperam ver sua justa súplica acolhida por V. Excia. Revma. De quem – E.R.M. – Porto Alegre, Setembro de 1862“.
A vida da heróica fundadora está por terminar, “combateu o bom combate”, morreu com as armas na mão. Na véspera de sua morte, reuniu em redor de seu pobre leito, as filhas queridas para lhes dar os últimos conselhos, recomendando-lhes com palavras tocantes a caridade fraterna, dizendo-lhes também que Nossa Senhora do Carmo seria sempre a Priora do Convento.
No dia seguinte, 18 de novembro de 1862, deixou esta terra, com a idade de 71 anos, a querida Madre Joaquina, tendo predito que morreria neste dia.
A fundadora, não pode sentir a alegria de ver sua obra aprovada oficialmente pela Igreja, mas morreu na certeza de que o ideal de sua vida estava garantido. Teve porém, a satisfação de ver a entrada de cinco noviças na clausura.
A Madre Joaquina, foi sepultada como Fundadora, debaixo do altar-mor da Igreja.
Não se pode furtar, ao gosto de esboçar ainda que levemente, alguns traços fisionômicos de nossa veneranda Fundadora:
Caráter alegre e comunicativo, ao mesmo tempo enérgico e empreendedor, gênio constante espírito jovial, mantendo inteireza de ânimo nas contrariedades e dificuldades. Corajosa e intrépida nas suas empresas para a glória de Deus e da Santíssima Virgem, sem precipitação. Nenhuma dificuldade conseguiu abater-lhe o ânimo varonil, pois sua confiança em Deus era sem limites. As palavras com que convenceu o Vigário Geral para lhe conceder a licenças para fundar o Convento são provas disso: “Se Deus quiser, não tendo nada, se fará tudo; e, se Deus não quiser, possuindo muitas riquezas, nada se fará”. Outro traço marcante de sua fisionomia foi a humilde submissão aos desígnios de Deus, expressa na obediência e respeito aos Superiores.
As filhas ficaram inconsoláveis com a perda de tal mãe e quem ocuparia o seu lugar?
A Irmã Maria José, irmã sanguínea da fundadora, por humildade, considerava-se inexperiente para o governo da casa... Na ocasião do sepultamento, o Sr. Bispo voltando-se para as Irmãs, elegeu-a como Priora, ordenando às religiosas que lhe prestassem obediência e a tratassem com grande veneração.
D. Sebastião, porém, velava pela pequena comunidade religiosa, tinha assistido em seu leito de morte, a Madre Joaquina, com ela tinha conferenciado largamente. As Irmãs presumiam, que a fundadora tinha feito nas mãos do Bispo, os votos religiosos, na ocasião em que lhe administrou os últimos sacramentos.
Passados apenas doze dias, após a morte da Fundadora, a nova Priora, Madre Maria José, auxiliada por D. Sebastião, dirigiu-se ao Internúncio Apostólico do Brasil, solicitando a aprovação pela qual tanto se afadigou Madre Joaquina. Esta graça tão ansiosamente esperada durante longos anos, foi concedida (quase 2 meses apenas, após o falecimento da Fundadora), em 12 de janeiro de 1863.
No dia 24 de maio do mesmo ano, pela primeira vez se pronunciou a fórmula dos santos votos religiosos no novo Carmelo de Nossa Senhora do Carmo, mas da Ordem Terceira.
Desta forma deu-se início à vida regular e pacífica da comunidade. D. Sebastião nomeou para capelão um Padre Jesuíta, que mandou vir de Roma as Constituições de Santa Teresa de Jesus, Regra e Cerimonial da Ordem; fazendo ele mesmo a tradução para a língua portuguesa. Ensinou-lhes também a rezar o Ofício Divino, pelo Breviário romano.
Durante 27 anos as Carmelitas gozaram dos cuidados paternais de D. Sebastião Dias Laranjeiras, preparado pela Divina Providência para amparar no transe mais angustioso da comunidade: a morte da fundadora.
A Madre Maria José, como primeira Priora, governou por 10 anos, findando os seus dias como uma santa (1862-1873).
Para suceder à Madre Maria José, a comunidade elegeu a Irmã Maria do Menino Jesus, sobrinha da fundadora que governou por 17 anos seguidos. Nos primeiros tempos de seu governo não se apresentou nenhuma candidata, reduzindo a comunidade ao número de nove Irmãs apenas. Temendo pelo futuro da comunidade, o capelão aconselhou as Irmãs a se corresponderem com as Carmelitas de Echt, na Holanda, traduzindo ele próprio as cartas. Para o centenário de santa Teresa, (1882), propõe à comunidade para alcançar dela e também de São José, muitas noviças. Depois de ter invocado com fervor este grande protetor do Carmelo, começou a aparecer as vocações... O número 21 (estipulado por Santa Teresa em seus Mosteiros) foi completado.
Deus abençoou a obra de Madre Joaquina, enviando muitas vocações para o seu Convento.
A 20 de setembro de 1890, tomou posse do Rio Grande do Sul o 3º Bispo, D. Cláudio José Ponce de Leão. Com paternal solicitude examinou o modo de vida das religiosas, suas Regras e Constituições, a austeridade e pobreza com que viviam, seu espírito de recolhimento. Admirou-se muito de saber que o Convento estava sob a aprovação própria aos que seguiam a Ordem Terceira do Carmo, sendo que as Irmãs viviam regularmente como monjas Carmelitas. Alcançou-lhes então, de Roma, a ereção canônica cujo Decreto de aprovação foi enviado no dia 03 de setembro de 1891, possibilitando as Irmãs do Convento de Nossa Senhora do Carmo, viverem segundo a Reforma de Santa Teresa de Jesus.
Em virtude do decreto de 3 de setembro de 1891, em que o Papa Leão XIII, constituiu os Bispos diocesanos superiores ordinários de certas Ordens religiosas do Brasil, entre as quais a Ordem do Carmo, Dom Cláudio com grande solicitude procurou para o Convento do Carmo todos os privilégios que lhe foi possível. Considerava como um dom de Deus esta solicitude da Santa Sé para as Ordens Religiosas do Brasil e, não perdia ocasião de melhorar as condições espirituais das Carmelitas da sua Diocese, as quais considerava como ele mesmo dizia: “a menina dos seus olhos.”
Neste mesmo ano de 1890, foi eleita Madre Bernardina da Imaculada Conceição (que pertencia à tradicional família Fialho Dutra).
Aparecendo muitas boas vocações para o Convento do Carmo de Porto Alegre e, não podendo admitir mais candidatas, por já exceder o número prescrito por Santa Teresa em suas Constituições, foi deliberado a fundação de um novo Mosteiro, sendo escolhida a cidade marítima de Rio Grande, pedestal do Brasil e como Padroeiro, ao glorioso São José. Acabado o seu triênio, vendo os superiores as suas qualidades para o governo, foi destinada a conduzir o pequeno grupo que devia ser transplantado para o novo Carmelo, o segundo, em terras gaúchas.
Em um sábado, no dia 26 de maio de 1894, embarcaram para a cidade do Rio Grande, a Madre Bernardina, levando debaixo de sua capa, como outrora santa Teresa, uma pequena estátua do seu querido Pai e protetor, São José. As suas quatro companheiras foram as Irmãs Bernardina de Jesus Maria, Estephania dos Apóstolos, Rita de São José Cláudio e Catharina de Cristo.
Chegaram a Rio Grande no Domingo, 27 de maio, quando a cidade ainda dormia e foram acolhidas na casa do Sr. Major Dr. Antônio Chaves e sua Exma. esposa que cederam a sua própria casa, pois, a que havia sido alugada para se instalarem provisoriamente, não tinha condições de abrigar as cinco religiosas.
O Carmelo riograndino foi crescendo pouco a pouco como uma planta que dá suas flores e seus frutos. No ano de 1994, celebrou solenemente o seu 1º Centenário, marcando na história da Igreja e da cidade a sua presença orante e, como fermento escondido na massa, contribuem até hoje, para o crescimento do Reino de Deus no mundo!
A D. Cláudio, bem como a Madre Maria do Menino Jesus, sobrinha da Madre Joaquina, coube a glória de fundar dois Carmelos: Rio Grande em 1894 e São José Leopoldo em 1910, que foi a coroa de seu último triênio de Priora e também de D. Cláudio que dois anos depois, resignou o governo da Diocese.
Esta corajosa Madre empregou todas as suas forças, talentos e atividades no serviço de Deus e lutando para a sua honra e glória, até o último alento. Veio a falecer na aurora do dia 16 de julho, festa de Nossa Senhora do Carmo Padroeira da ordem e titular do seu Convento.
Nos últimos tempos, direta e indiretamente brotou do velho tronco muitos outros Carmelos que se espalharam por outras cidades do Rio Grande do Sul, como Santa Maria, Pelotas, Caxias do Sul, Cruz Alta, Santo Ângelo, Giruá e nos outros estados do Paraná, na cidade de Céu Azul, Curitiba e Campo Mourão e em Santa Catarina, nas cidades de São José - Picadas do Sul e Itajaí.
São, portanto, 14 Carmelos que, a partir da Fundação de Madre Joaquina em Porto Alegre, dão testemunho na Igreja do Absoluto de Deus e do valor da Oração, em nossa Sociedade atual.