O CARISMA
O Carmelo Teresiano nasce das graças místicas que moveram Santa Teresa a renovar o Carmelo orientando-o completamente à oração e à contemplação das coisas divinas, vivendo os conselhos evangélicos segundo a regra primitiva, (que havia sido mitigada em 1432) em uma pequena comunidade fraterna, fundada na solidão, oração e estrita pobreza.
A identidade, que dá feição ao nosso rosto, é a vida consagrada em obséquio de Jesus Cristo, em oração contínua, imitamos a Cristo que se retirava para os montes e lugares desertos a fim de fazer sua oração.
Ao realizar sua obra, Santa Teresa quis assegurar fielmente a continuidade do Carmelo: infundiu um espírito novo na devoção filial à Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo... A vocação das Carmelitas é um dom do espírito, que as convida a uma misteriosa união com Deus, vivendo com Jesus e em intimidade com a Virgem Maria; a oração e a imolação fundem-se vivamente com um grande amor à Igreja.
Podemos distinguir dois elementos importantes no carisma Teresiano:
1º- a) VIDA DE ORAÇÃO Jesus Cristo é a alma e o coração de toda vida carmelitano - teresiana.
O único FIM de nossa vida é amar a Cristo e alcançar a união mais íntima com Ele.
b) VIDA DE AMIZADE- Desde o princípio a santa se sentiu inspirada a chamar sua pequena comunidade de São José, este pequeno Colégio de Cristo à imitação do Colégio apostólico fundado por Jesus. Seu primeiro propósito foi que cada comunidade constasse somente de 13 religiosas, 12 por cada um dos apóstolos, mais 1 a Madre fazendo as vezes de Cristo. Devido a algumas circunstâncias e necessidades, na aprovação das Constituições em 1581, em Alcalá, finalmente se fixou o número de 21 monjas. De qualquer maneira, sua idéia fundamental de que cada Convento fosse formado por um número limitado de religiosas, se mantém em seu Carmelo através dos séculos, até hoje, FAZENDO DE CADA COMUNIDADE UM PEQUENO GRUPO DE AMIGOS DE CRISTO.
2º- AO SERVIÇO DA IGREJA O aspecto eclesial do carisma teresiano é tão importante como o da vida de oração, já que é parte integrante de um todo essencial e indivisível. De fato uma vida de oração que esteja motivada por um interesse pessoal, tal como a própria salvação ou o próprio aperfeiçoamento, não seria uma autêntica vida Carmelita.
TODO RELIGIOSO, EM VIRTUDE DE SUA VOCAÇÃO, SE CONSAGRA
AO SERVIÇO DA PESSOA DIVINA DE CRISTO E DE SEU CORPO MÍSTICO, QUE É A IGREJA.
Contemplando o mistério da Igreja, que naquele tempo sofria, sentiu a ruptura da unidade e a traição de muitos cristãos; considerou o desregramento dos costumes, como rejeição, desprezo e profanação do amor. Numa palavra: atraiçoava-se a amizade divina. OS QUE NÃO ACEITAVAM A IGREJA NEM VIVIAM COM ELA, E OS QUE NÃO SEGUIAM O SEU MAGISTÉRIO, REJEITAVAM CRISTO E DESPREZAVAM O SEU AMOR.
A Igreja sua igreja se desmorona. É rompida sua unidade e se multiplicam as profanações da Eucaristia e do sacerdócio.
Retirando-se a uma ermida, Teresa desabafa sua pena com Deus, ora e suplica a salvação das almas, pede meios para impedir que o Santíssimo Sacramento seja retirado dos sacrários, destruídas as Igrejas, perdidos tantos consagrados. Tendo o Senhor tantos inimigos e tão poucos amigos, toda a minha ânsia era, e ainda é, que ao menos estes fossem bons. ... MIL vidas eu daria para a salvação de uma só alma das muitas que ali se perdiam.
Então, acompanhada de suas Monjas: Determinei-me a fazer este pouquinho a meu alcance, que é seguir os conselhos evangélicos com toda a perfeição possível e procurar que estas poucas Irmãs aqui fizessem o mesmo. Todas ocupadas em oração.
Estando enclausuradas, pelejemos por Ele. Na Igreja ela concentra sua atenção nos defensores da Igreja, pregadores e teólogos que a sustentam, pois são eles os que devem ajudar os fracos e animar os pequenos e nos sacerdotes para que estejam fortalecidos com ciência e vida santas. Diante desta urgência pois o mundo está pegando fogo, querem novamente condenar a Cristo... pretendem lançar por terra a sua Igreja. Ó MINHAS IRMÃS, EM CRISTO! AJUDAI-ME A SUPLICAR ISSO AO SENHOR, POIS FOI COM ESSE FIM QUE ELE VOS REUNIU AQUI. ESSA É A VOSSA VOCAÇÃO. ESSES DEVEM SER OS VOSSOS CUIDADOS E DESEJOS; EMPREGAI AQUI AS VOSSAS LÁGRIMAS E PARA ISSO DIRIGI VOSSOS PEDIDOS. QUANDO AS VOSSAS ORAÇÕES, DESEJOS, DISCIPLINAS E JEJUNS NÃO ESTIVEREM VOLTADOS PARA ISSO DE QUE FALO, TENDE CERTEZA DE QUE NÃO ALCANÇAIS NEM CUMPRIS O OBJETIVO PARA O QUAL O SENHOR NOS REUNIU AQUI... O ALICERCE DESTA CASA É A ORAÇÃO!
Santa Teresa desejava que suas filhas fossem de tal maneira, agradáveis a Deus, que alcançassem Dele TUDO QUANTO PEDISSEM NA ORAÇÃO.
O plano de Santa Teresa ao estabelecer um tal gênero de vida, integrado pela oração, penitência, silêncio e solidão, foi o de formar amigos de Cristo fortes e fiéis, bem preparados para poder fazer por Ele MAIS do que os mesmos sacerdotes e teólogos.
Por exigência do carisma teresiano, a oração, a consagração e todas as energias de uma Carmelita Descalça DEVEM estar orientadas para a SALVAÇÃO DAS ALMAS.
Santa Teresa acabou por inaugurar em São José de Ávila, um estilo de vida realmente novo, ao adaptar o espírito do Carmelo primitivo às circunstâncias de seu ambiente histórico.
Seis anos após a morte de Santa Teresa em 1587, os descalços conseguiram maior autonomia dentro da Ordem Carmelitana, ao serem erigidos como congregação independente e, em 1593, estando no governo da reforma o Padre Nicolau de Jesus Maria Dória, o capítulo geral, reunido em Cremona, aprovou a divisão da Ordem.
A 20 de dezembro de 1593, o Papa Clemente VIII, confirmou o decreto do Capítulo e erigiu a Ordem dos Carmelitas Descalços, sob a jurisdição de um Prepósito Geral próprio. No momento da separação o Carmelo Descalço contava com 32 conventos em Espanha, Portugal e Itália.
Portanto, são DUAS ORDENS DISTINTAS, chamados Calçados ou da Antiga Observância e os Descalços. Hoje, preferimos dizer: ORDEM DOS CARMELITAS E ORDEM DOS CARMELITAS TERESIANOS, POIS SOMOS UMA GRANDE FAMÍLIA!