SÃO JOÃO DA CRUZ

 

"NO FIM
DE NOSSA VIDA,
SEREMOS JULGADOS,
PELO AMOR".


(São João da Cruz)

 
1 - JOÃO DA CRUZ

“Conheci Frei João da Cruz, com quem mantive relações. Era homem de compleição mediana de rosto grave e venerável, algo moreno e de feições harmoniosas; sua maneira de conversar e tratar muito agradáveis, espiritual e de grande proveito para os que o ouviam ou conversavam com ele. Neste particular, revelou-se extraordinariamente hábil, e assim aqueles que o procuravam saíam espiritualizados, fervorosos e afeiçoados à virtude. Conhecia a fundo, por experiência tudo o que se referia à oração e a intimidade com Deus. Quando lhe expunham dúvidas sobre essa matéria, respondia sempre com sublime sabedoria, deixando os que o consultavam plenamente esclarecidos e com grande proveito espiritual.” (Frei Eliseu dos Mártires, ocd - contemporâneo).

2 - A FAMÍLIA

João de Yepes nasceu em Fontiveros, povoação de Ávila, Espanha, em junho de 1542, dia incerto. Seus pais, Gonzalo de Yepes, nobre comerciante de seda, e Catarina Alvarez, humilde tecelã. A rica família de Gonzalo não aceitou o casamento com essa jovem tão pobre, e, deserdou-o. Catarina ensinou sua profissão trabalhosa e pouco remunerada ao marido e iniciaram sua vida matrimonial na mais dura luta pela subsistência.

Dessa abençoada família nasceram três meninos: Francisco, Luiz e, por último, João. Logo após o nascimento de João, seu pai parte para a eternidade.

Catarina pobre de bens materiais, mas rica em qualidades humanas e espirituais, não desanima. Procura auxílio nos familiares de Gonzalo, mas não encontra compaixão em nenhum. Emigra então, de uma cidade para outra, buscando colocação e trabalho; volta a Fontiveros, onde morre seu pequeno Luiz. Finalmente em Medina Del Campo se estabelece com seus dois filhos.

3 - O ESTUDIOSO

Em Medina, no colégio da Doutrina pertencente aos Padres Jesuítas - espécie de orfanato para meninos pobres - João aprende as primeiras letras, e é exercitado em diversas profissões: entalhador, pintor, desenho, enfermagem, etc... sentia gosto por todo tipo de trabalho, e esse aprendizado lhe serviu muito na vida de fundador. Mas sua inclinação dominante era a intelectualidade. Amava os livros, e dedicava todo tempo livre e mesmo parte da noite aos estudos, transparecendo já em sua vida de adolescente e de jovem o futuro escritor, poeta e doutor da Igreja. A sólida formação científica, faz de João de Yepes, o sábio entre os sábios, com pleno domínio em teologia e espiritualidade.

4 - VOCAÇÃO

Dedicação ao estudo e piedade, distingue João nos Colégios e Universidades por onde passa. Sua profunda religiosidade e seu amor a Maria santíssima, lhe decidem a ingressar na Ordem do Carmo aos 21 anos, tomando o nome de João de São Matias. Porém o processo vocacional na alma de João não para aí, continua buscando, porque o Carmo nessa época, não oferecia ambiente para quem tem grandes aspirações de santificação; e João queria ser santo! Então, decide entrar para a Cartuxa.

Enquanto planejava a transferência, Deus coloca santa Teresa em seu caminho, que lhe propõe colaborar com ela na reforma dos Carmelitas. O jovem sacerdote associa-se aos planos de santa Teresa, comunga suas idéias, e passa a chamar-se Frei João da Cruz, iniciando a vida dos padres Carmelitas, em Duruelo, no dia 28 de novembro de 1568. Enfim realiza seu ideal de radical pobreza, contemplação e apostolado!

5 - A CRUZ

O Pai da Reforma Carmelitana, acompanhando Santa Teresa em suas fundações transmitia com suma sabedoria, a mais sólida doutrina à nova família religiosa, sendo o primeiro formador, orientador e diretor espiritual dos Carmelitas Descalços.

Isso levantou contra o santo, uma grande perseguição, que terminou, com a sua prisão na noite de 03 para 4 de dezembro de 1577. Lançado no cárcere em Toledo, sujeito a maus tratos e torturas diárias, deu prova uma vez mais, aos próprios verdugos, da mansidão e bondade de que estava cheio seu coração todo de Deus. Nesse ambiente desfavorável iniciou seus grandes poemas e escritos doutrinais. Com o auxílio de Nossa Senhora, após nove meses, fugiu do cárcere na noite de 15 de agosto de 1578.

Para João dizer CRUZ é dizer fé, Cristo, Ressurreição. Da secreta luminosidade da esperança brilha para o místico doutor, o dinamismo imortal da Cruz, que é vida onde parece morte; que é realização, onde parece fracasso; que é amor de Deus, onde parece ódio dos homens.

6 - E MAIS

Entre cargos, viagens, fundações e construções de novas casas, direção espiritual das monjas e dos primeiros Frades, escritor e profunda experiência contemplativa, João consome todo seu tempo de Carmelita Descalço.

Em 1588, é transferido para Segóvia como superior. Desenvolve então uma borrasca de perseguições contra ele. Tiram-lhe toda a autoridade na Ordem, e com animosas calúnias preparam sua expulsão ou o exílio para o México. O santo estava já elevado demais, para ser atingido por essas ondas, que davam sempre na rocha de sua DOÇURA IMUTÁVEL.

Em 1591 caiu gravemente enfermo e escolheu para se tratar onde sabia não ser bem aceito. Ali, consumido de dores, febres e incompreensões, passou os últimos seis meses de sua vida... À meia noite de 13 para 14 de dezembro de 1591, rompeu-se a tela de sua vida, e, o autor do Cântico espiritual e Chama Viva de Amor, foi cantar o louvor eterno de Deus com Maria, como havia predito alguns dias antes. Contava 49 anos de idade e fez jus à sua própria sentença: “No entardecer da vida seremos julgados pelo amor”.

7 - OBRAS DE SÃO JOÃO DA CRUZ - DOUTOR DA IGREJA

a) SUBIDA DO MONTE CARMELO – é sua obra fundamental. Trata de como poderá a alma, dispor-se para chegar rapidamente à divina união com Deus. Dá avisos tanto para quem está iniciando sua caminhada espiritual como para os que já estão adiantados no caminho...

b) NOITE ESCURA DA ALMA – faz um todo com o livro da Subida do Monte, explicando as purificações passivas da alma.

c) CÂNTICO ESPIRITUAL – explica em estilo lírico, o exercício entre a alma e Deus, e os efeitos da oração na alma.

d) CHAMA VIVA DE AMOR – é obra que trata do grau mais perfeito da perfeição que se pode chegar nesta vida.

e) POESIAS – ao todo são dezesseis poesias fortemente inspiradas na Sagrada Escritura, recolhendo valores culturais de seu tempo. Esses poemas lhe mereceram o título de patrono dos poetas espanhóis em 1952.

f) Pequenos tratados espirituais, Cautelas, Avisos e sentenças.

g) DITOS DE LUZ E AMOR

h) EPISTOLÁRIO: conservam-se somente 30 cartas, das centenas que escreveu.

Ao ler os escritos de São João da Cruz deve-se começar pelas obras menores. Ele é conhecido por Doutor dos “nadas” porque muitos começam a ler suas obras pelo livro da Subida do Monte, ficando numa visão unilateral de seu Magistério espiritual, Para entender os “nadas” é preciso descobrir o “TUDO”. Com os “nadas” o santo quer dizer que os fragmentos de felicidade que a vida nos oferece, só têm valor em relação à felicidade absoluta que é DEUS. Sua vida e suas obras, são um hino ao AMOR DE DEUS que se esquece de si e gosta mais de dar do que receber, conforme o exemplo sublime de Jesus Cristo.

São João da Cruz foi proclamado Doutor da Igreja pelo papa Pio XI em 24 de agosto de 1926.

“O Padre Frei João da Cruz é uma das almas mais puras que Deus tem em sua Igreja.

Concedeu-lhe Nosso Senhor grandes riquezas da sabedoria do Céu”.

(Santa Teresa de Jesus – carta 16 / 01 / 1578)