MINHAS ARMAS
(Canto composto para uma profissão)
"Revesti-vos das armaduras de Deus,
a fim de que possais resistir às ciladas do diabo."
(Efésios)
"A Esposa do Rei é terrível como um exército, alinhado para o combate;
ela é semelhante a um coro musical num campo de batalha.
"(Cântico dos Cânticos)
Do Poderoso visto as armaduras,
Pois Sua mão dignou-se me adornar.
Daqui por diante nada mais me assusta;
Quem me vai separar de Seu Amor?
Lançando-me, a Seu lado, em plena arena,
Sei que não temerei ferro nem fogo;
Saibam meus inimigos: Sou rainha,
Sou esposa de um Deus!
Jesus, guardarei as armaduras
Que visto ante Teus olhos adorados.
Meu mais belo ornamento, até morrer,
Serão meus santos votos!
Pobreza, meu primeiro sacrifício,
Vais seguir-me, até a morte, em toda parte,
Pois sei que, para poder correr na pista,
De tudo deve o atleta despojar-se.
Gozai, mundanos, o remorso e a dor,
Que são frutos amargos da vaidade.
Mas, na arena, alegre irei colher
As palmas da pobreza.
Disse Jesus: "É pela violência
Que se conquista o reino celestial".
Seja, então, a pobreza minha lança
E glorioso capacete.
A Castidade faz-me irmã dos anjos,
Os espíritos puros, vitoriosos;
Hei de voar, um dia, em suas falanges.
Mas, neste exílio, lutarei como eles.
Sem repouso nem trégua hei de lutar
Pelo Senhor dos Reis que é meu Esposo.
Minha espada celeste é a Castidade
Que pode conquistar-Lhe corações.
A Castidade é minha arma invencível
Com que meus inimigos são vencidos.
Ela me torna, Oh! que prazer infindo,
Esposa de Jesus.
Foi um anjo orgulhoso, entre esplendores,
Que disse: "Nunca irei obedecer!"
Mas grito, na noite desta vida:
"Quero obedecer sempre na terra".
Sinto nascer em mim uma audácia santa,
Com que enfrento o furor de todo o inferno.
A Obediência é para mim Couraça
E Escudo do coração.
Não quero outro esplendor, Deus dos Exércitos,
Só quero submeter minha vontade em tudo,
Pois a Obediência sempre há de cantar vitórias
Por toda a Eternidade.
Se tenho as armas poderosas do Guerreiro
E se, valentemente, O imitar na luta,
Como a Virgem das Graças encantadoras,
Quero também cantar em meu combate.
Fazes vibrar as cordas de Tua lira,
Que é, meu Jesus, meu próprio coração!
Então posso gozar Tuas misericórdias,
Cantar a força e a doçura.
Sempre sorrindo enfrentarei metralhadoras
E, nos Teus braços, meu Divino Esposo,
Cantando morrerei no campo de batalha,
Com as armas na mão!...