12 de agosto de 1895

MEU CÉU NA TERRA

Jesus, Tua imagem inefável
É o astro que guia meus passos.
Ah, bem sabes que a Tua doce Face
É o céu para mim nesta existência.
O meu amor sempre descobre encantos
Desta Face que os prantos embelezam.
Eu sorrio em meio a minhas lágrimas,
Cada vez que contemplo Tuas dores...

Quero, para poder-te consolar,
Viver ignorada nesta terra!...
Esta beleza que tão bem escondes
Me revela, entretanto, o Teu mistério
Para junto de Ti quero voar!...

Minha única Pátria é Tua Face,
Ela é também o meu Reino de amor,
Ela é minha campina sorridente,
Meu encantado sol de cada dia.
Ela é o lírio do vale, Tua Face,
Da qual se evola o olor misterioso
Que consola minh’alma neste exílio
E a faz saborear a paz do céu.

Ela é minha Doçura, meu Repouso,
A minha lira cheia de harmonia...
A Tua Face, ó terno Salvador,
É esta mirra divina em ramalhete
Que sobre o coração quero guardar!

Ela é minha única riqueza,
A qual, se eu possuir, não peço mais;
Escondendo-me nela, sem cessar,
Eu serei semelhante a Ti, Jesus.
Ah, deixa bem impressa em mim a marca
Dos Teus traços repletos de ternura
E assim me tornarei logo uma santa
E atrairei pra Ti os corações.

Para poder aqui armazenar
Uma bela colheita bem ceifada,
Abrasa-me, Senhor, com Tuas chamas,
Dá-me logo, com Teus lábios dourados,
O beijo da Eternidade!