3. Os graus de oração[6]

- No livro de sua Vida, a oração é classificada em quatro graus: oração discursiva, de quietude, de união ordinária e de união extraordinária. É preciso lembrar que, quando classificava desta maneira a oração (1563-1565), a Madre Teresa ainda não tinha chegado à sua plena experiência mística.

- No Caminho, distingue a oração em quatro outras etapas, não exatamente iguais aos da Vida, a saber: estágio inicial, recolhimento ativo, oração de quietude e união atual com Deus, aos que adapta sua belíssima interpretação do Pater noster.

- No Castelo Interior ou Moradas (1577), onde a temática da oração já é fruto de sua completa maturidade espiritual, a oração é explicada com mais ordem, baseando-se no desenvolvimento e nas qualidades do amor recíproco entre Deus e a alma. Por isto, dá uma divisão mais completa, sobretudo em relação às graças místicas, de que ainda não tinha experiência quando escreveu sua Vida. É aqui que descreve a morada central do maravilhoso castelo onde Cristo habita como rei, e o esplendor de sua glória que ilumina todas as moradas do castelo, da mais interior até a cerca e os arredores.

Este castelo-fortaleza compreende sete moradas de diversas grandezas e beleza, que são imagem dos sete graus da oração ou intimidade pelas quais a alma deve passar até chegar à morada central. Eis aqui uma breve descrição de cada uma elas:

1a. Oração discursiva ou meditação - É o primeiro grau, a oração dos principiantes, ou, para usar uma metáfora, a porta de entrada no castelo (cf. 1M 1, 7). Dois elementos constituem a natureza íntima da meditação: a reflexão e o amor. Note-se, entretanto, que, na meditação teresiana, a reflexão (embora seja um elemento constitutivo e primeiro em ordem cronológica) está subordinada ao amor e existe em função do amor. A meditação começa com as reflexões do entendimento e termina com os afetos do coração. Por isto, a Santa Madre recomenda que não se passe todo o tempo da meditação discorrendo e refletindo, mas abrindo o coração ao Senhor depois de uma oportuna reflexão, expressando-lhe todo o reconhecimento por seu infinito amor, junto com a firme resolução de corresponder a esse amor com uma vida de fidelidade (cf. V 13, 11-13). No Caminho, a Santa fala longamente da meditação ao comentar as primeiras palavras do Pai-Nosso (cf. C 19-27).

2a. Oração de recolhimento ativo - No Caminho de Perfeição e a continuação da oração discursiva, a Santa Madre fala de outro modo de oração que pode ser considerado como um segundo grau, ou seja: a oração de recolhimento ativo, cuja essência consiste em tomar consciência ativa da presença de Deus que mora em nós.

“É claro: onde está o rei, aí está a corte, como se diz. Ora, como sabeis, Deus está em toda parte. (...) Por isso, diz Santo Agostinho que buscava o Senhor em muitas partes e veio a achá-lo dentro de si mesmo. Será de pouca importância para uma alma dissipada compreender esta verdade e ver que, para falar a seu Pai eterno e alegrar-se com sua companhia, não tem necessidade de ir ao céu, nem de clamar em altas vozes? Por baixinho que fale, está ele tão perto que sempre nos ouvirá. Para ir buscá-lo não precisa de asas: basta pôr-se em solidão e olhá-lo dentro de si mesma. Não estranhe tão bom hóspede. (...) Esse modo de rezar, ainda mesmo vocalmente, recolhe o espírito muito mais depressa. É oração que traz consigo imensos bens. Chama-se oração de recolhimento, porque nela recolhe a alma todas as suas faculdades e entra dentro de si mesma com seu Deus. Aí seu divino Mestre, com mais brevidade que de nenhum outro modo, vem ensiná-la dando-lhe oração de quietude” (C 28, 2-4).

A Santa insiste em dizer que não se trata de coisa sobrenatural, mas de um fato que depende da nossa vontade e que nós podemos realizar com a ajuda de Deus.

Suas características são as seguintes: os sentidos se retiram das coisas exteriores e as consideram como de pouco valor; os olhos fecham-se espontaneamente, enquanto se torna mais agudo o olhar da alma (cf. C 28, 6); e “ali, recolhida consigo mesma, pode ela meditar na paixão, representar à mente o Filho de Deus, e oferecê-lo ao Pai, sem cansar o espírito, como se o buscasse no Monte Calvário, no Horto ou na coluna” (C 28, 4). Assim, toca-se a própria substância da oração de recolhimento: uma intimidade viva e amorosa da alma com Deus que mora em nós.

E como será muito difícil para a alma, sobretudo no início, habituar-se a orar deste modo, a Santa sugere algumas práticas que a ajudaram a concentrar-se:

- A primeira é dar-se conta de que nossa alma é a morada do Senhor, que nela reside como um rei em seu palácio: “Façamos de conta que dentro de nós há um palácio de grandíssima riqueza, todo feito de ouro e pedras preciosas (...). Da vossa parte, como é verdade, contribuís para esta magnificência. Este palácio é vossa alma, quando está limpa e cheia de virtudes. Não há edifício de tanta formosura que se lhe compare. Imaginai agora que neste palácio reside o grande rei. (...) Se vivêssemos com cuidado, lembrando-nos freqüentemente de que temos em nós tal hóspede, acho impossível darmo-nos tanto às coisas do mundo” (C 28, 9-10).

- A segunda é entregar-nos completamente ao Senhor, porque “como não nos constrange, aceita o que lhe oferecemos. Contudo, não se dá de todo enquanto não nos damos de todo a ele” (C 28, 12).

- A terceira é esforçar-se em viver em uma atmosfera totalmente espiritual, já que a oração de recolhimento exige a prática cotidiana da presença de Deus: “Cumpre desapegarmo-nos de tudo para nos aproximarmos interiormente de Deus. Desejemos sempre retirar-nos ao mais íntimo de nós mesmas, até no meio das ocupações cotidianas. (...) O essencial é convencermo-nos de que para falar a Deus não há necessidade de gritar nem falar (...) porque Sua Majestade far-nos-á sentir que está ali presente” (C 29, 5).

Segundo a Santa, este recolhimento tem três graus: a alma adquire um certo domínio de seus sentidos; a presença de Deus acende e estimula o amor da alma; esta se prepara mais prontamente para entrar na oração de quietude (cf. C 28, 4, 7-8).

3a. Oração de recolhimento passivo - Neste estado, a alma sente uma inclinação muito forte ao recolhimento, dando-se conta inclusive de que esta não nasce dela, mas provém de Deus. O entendimento é capaz de meditar, mas se sente levado a simplificar seu modo de tratar com Deus, quer dizer, a estar em sua companhia, mais do que a discorrer. Diz a Santa: “É um recolhimento que me parece também sobrenatural. Não consiste em estar a pessoa às escuras, nem em cerrar os olhos, nem em coisa alguma exterior, embora sem querer, feche os olhos e busque solidão. Sem artifícios humanos, parece que se vai construindo o edifício para a oração de que falei atrás. (...) E não julgueis alcançá-la por meio do intelecto ou da imaginação, esforçando-se por pensar que Deus está dentro de vós, ou imaginando-o presente em vosso interior. (...) Algumas vezes, antes de começar a pensar em Deus (...) um recolhimento suave que a chama ao interior.” (4M 3, 1-3). Isto não depende da nossa vontade. Portanto, o recolhimento passivo é um puro favor de Deus. Não se trata de uma manifestação imediata de Deus, e sim de uma suave reclamação por meio da qual as faculdades da alma entram em si mesmas - algo assim como as ovelhas entram no redil ao ouvir o suave assobio do pastor (cf. 4M 3, 2).

4a. Oração de quietude - Com este grau de oração, a alma entra decididamente no “sobrenatural’’. Por mais que façamos, não a podemos adquirir com todas as nossas diligências” (C 31, 2). Diz a Santa que, na oração de quietude, “estando a vontade unida a Deus, sente-se como que atraída pelo amor de Deus em um silêncio contente” (cf. V 15, 1; C 31, 3). A alma se dá conta de que não é só ela que empurrar sua vontade para Deus, e esta íntima ação divina envolve-a ao mesmo tempo em uma tranqüila quietude e em uma profunda paz. Daí o nome característico de oração de quietude, ou oração de gostos divinos. “Interior e exteriormente, suas faculdades estão numa espécie de desfalecimento (...) não quisera mexer-se. Como o viajante, quase ao termo da jornada, pára e descansa um pouco para melhor continuar a caminhada. Nesse repouso dobram-se-lhe as forças” (C 31, 2).

Trata-se de uma luz nova que invade a inteligência e a faz conhecer Deus de um modo novo. Na verdade, é a luz da experiência, um gosto da vontade que nada tem que ver com o processo abstrato e que produz na alma um luminoso sentimento da presença de Deus. Aqui a alma sente que assim conhece a Deus melhor do que com todos os possíveis conceitos de um desenvolvimento normal da faculdade cognitiva. Mas enquanto a vontade se sente unida a Deus na quietude e na paz, “o intelecto e a memória permanecem livres” (C 30, 3) e podem perturbar a alma com seus movimentos “e assim anda de cá para lá, estonteado, sem se deter em coisa alguma” (4M 3, 8).

Embora este rebuliço a incomode, a alma não lhe dará atenção, pois toda sua vontade está posta em Deus. O que a alma tem de fazer é deixá-lo e “deixe-se a si mesma nos braços do amor. Sua majestade lhe ensinará o modo de agir. Este se resume, quase inteiramente, em sentir-se indigna de tanto bem empregar-se em ação de graças.” (4M 3, 8).

Este grau de oração não impede que a alma rogue pelo bem da Igreja e por outras necessidades; nele há, portanto, um certo concurso da alma que, por iniciativa própria, procura manter-se serena e recolhida sob o amoroso olhar de Deus.

Este grau de oração pode durar muito tempo (cf. Rel. 5a.), e tende a prolongar-se em duração e intensidade de uma forma ulterior que a Santa Madre chamará de “sono das faculdades”, de que falaremos agora.

5a. Sono das faculdades - A Madre Teresa fala desta forma de oração em sua Vida (cf. cap. 16-17). Lendo atentamente, tem-se a impressão de que, mais do que de um novo grau de oração, trata-se da mesma oração de quietude, mas em um grau mais perfeito. Contudo, assinalaremos suas características.

Aqui Deus infunde na alma uma luz mais abundante que faz o intelecto recolher-se na contemplação, e a atenção se fixa de tal modo que praticamente desaparece o movimento da imaginação. A alma está tão absorta e imersa em seu profundo recolhimento, as faculdades ficam tão adormecidas às coisas do mundo e todo o ser tão profundamente centrado em Deus, que com razão pode-se chamar este tipo de oração de “sono das faculdades”. “Neste modo de oração - escreve a Santa - a alma não discorre, antes está ocupada em fruir de Deus, como quem está olhando e vê tanto que não sabe para onde volver os olhos, porque a vista de uma coisa lhe faz perder a de outra e assim não sabe dizer o que viu” (V 17, 5-7).

Nesta oração não se realiza a união plena de todas as faculdades, que ainda têm certa liberdade de movimento, embora sempre e em tudo orientadas para Deus: “As faculdades são capazes tão somente de se ocuparem de Deus. Dir-se-ia que nenhuma ousa mexer-se. Nem podemos fazer que se movam, salvo com muito esforço para nos distrairmos, e ainda assim não me parece que poderíamos consegui-lo inteiramente. Proferem-se, então, muitas palavras de louvor a Deus, de maneira desordenada, se o mesmo Senhor não as conserta. (...) Diz mil santos desatinos, atinando sempre em contentar aquele que a põe em tal estado” (V 16, 3-4).

6a. Oração de união simples - Na oração de união, o predomínio de Deus é absoluto; sua ação progressiva acorrenta as faculdades da alma até colocá-las em uma passividade completa que exclui toda possibilidade de iniciativa pessoal.

A primeira desta categoria de oração é a de união simples. É muito breve em duração – “nunca chega a meia hora”, diz a Santa -, mas tão profunda que consegue absorver totalmente as faculdades interiores da alma, que começa a experimentar uma transformação de si mesma que a faz viver uma vida divina. O Senhor se apossa da alma de tal maneira que, passada a experiência, “voltando a si, de nenhum modo duvida de que esteve em Deus e Deus nela” (5M 1, 9). A imaginação já não se agita, e às vezes permanece como que adormecida para permitir que a inteligência e a vontade se unam a Deus. E a Santa afirma que o conhecimento que a alma adquire em breve espaço de tempo é tal que “mediante os sentidos e faculdades, não poderia absolutamente entender, em mil anos, o que aqui entende num relance” (5M 4, 4).

Quanto ao lugar onde se efetua esta união, a Madre o indica de diversos modos: “na essência da alma” (5M 1, 5); “em seu centro” (ib. 1, 12); “no espírito da alma” (7M 2, 3). Deus age nela transformando-a profundamente, poderíamos dizer que se trata de uma autêntica metamorfose: porque, na união divina, a alma morre ao mundo para viver em Deus, como o bicho-da-seda se encerra em seu casulo “e sai do casulo uma borboletinha branca, muito graciosa” (5M 2, 2). Contudo, este tipo de união não é o ponto mais alto ou mais interno do castelo, já que ainda estamos nas quintas moradas.

7a. Oração de união plena - A sexta morada do castelo interior, onde se realiza a união plena, é um conjunto de sofrimentos purificadores e suavíssimas graças. Quanto mais aumentam os sofrimentos e mais penetram na alma como fogo devorador, mais se transforma a dor em uma doçura indescritível. A união aqui se realiza com tanta profundidade e vigor que, com a concentração das faculdades espirituais em Deus, fica muito atenuada a vida sensitiva, motivo pelo qual a alma encontra-se incapaz de qualquer iniciativa pessoal, como se estivesse totalmente separada do mundo. Este é o fenômeno místico do êxtase, que deve ser a conseqüência de uma atividade espiritual de muito alto nível e de profunda absorção em Deus; assim, os sentidos parecem como que cravados Nele ou no objeto que se manifesta. Este fenômeno do êxtase apresenta-se de várias formas: arroubos, vôos de espírito, visões, locuções interiores, etc.

Santa Teresa insiste muito em que não devemos procurar a perfeição da oração nas visões ou revelações, e sim na contemplação; esta, não exigindo em si nenhuma manifestação extraordinária da realidade sobrenatural, faz-nos prová-la por meio de um conhecimento experimental que dá à alma um senso inexprimível de Deus. Por isto, a Santa assinala não só o caráter precioso dos favores divinos, mas também inseguro e excepcional, aconselhando a só desejá-los em vista dos efeitos positivos que podem produzir na alma (cf. 6M 5, 11; 10, 8).

Todo este processo é longo e mortificante. Depois da união extática, como disposição última à união transformante, a alma é submetida, de modo particular, a sofrimentos muito dolorosos e purificadores do amor (cf. 6M 11; V 29). Passadas essas dolorosas purificações, a alma chega finalmente à união serena, plena e durável que constitui o supremo vértice da oração mística.

8a. Oração de união perfeita - Esta é a mais alta união possível com Deus enquanto se vive na terra, ou seja: a união perfeita ou matrimônio espiritual (cf. 7M 1-4). A oração de união perfeita é estável e permanente. Deus se manifesta na totalidade de seu ser, na perfeição e na intimidade das três divinas Pessoas, que se comunicam à alma sem intermediários, ou, como escreve a Santa: “Dessa maneira, podemos dizer que a alma entende ali – por ter visto – o que cremos pela fé; embora não o tenha contemplado com os olhos do corpo nem com os da alma, porque não é visão imaginária” (7M 1, 6). Tudo o que se verifica neste estado, mesmo permanecendo no campo da fé, é fruto muito doce de uma fé singularmente penetrante, luminosa e saborosa. E, acrescenta a Santa, os êxtases geralmente cessam aqui: Colocada a alma nesta morada, “esta se sente livre daquela extrema debilidade que tantos vexames lhe causava e da qual jamais conseguira libertar-se. O Senhor, talvez, a tenha fortalecido e dilatado, comunicando-lhe maior habilidade e capacidade” (7M 3, 12).

O próprio Jesus, mediante sua sagrada Humanidade, revela-se plenamente no mais íntimo da alma e a une a si com um inexprimível vínculo de amor. Por isto, diz a Santa: “Comparemos a união a duas velas de cera perfeitamente unidas, produzindo uma só chama. Ou ao pavio, à chama e ,a cera formando um único círio. É possível separar uma vela da outra, ficando duas velas distintas. Como se pode também separar a cera do pavio” (7M 2, 4).

A alma mergulha em um silêncio profundo e goza de uma paz e de uma quietude inalteráveis em meio a todas as angústias e fadigas. O desejo ardente do gozo de Deus tempera-se e se modera com a ânsia de sofrer e trabalhar em seu serviço: “padecer ou morrer” (cf. 7M 3, 6-7). A oração da alma neste estado funde-se com a oração de Cristo, de quem tornou-se para toda a eternidade “esposa mística”, envolta toda ela em um incêndio de luz e amor, como nota a Santa (cf. 7M 1, 6).

Com este grau de oração, o longo caminho chega ao fim; seus vários graus ou estágios foram descritos. Entretanto, deve-se considerar que, na vida real, não é fácil distinguir esses graus teoricamente distintos, já que, estando relacionados entre si, não é fácil saber nem determinar positivamente o grau concreto a que a alma chegou. Na verdade, é a pessoa inteira que amadurece espiritualmente e é possível chegar à união íntima mais rapidamente do que se costuma acreditar. Tudo depende da nossa generosidade e do uso que fazemos dos meios sobrenaturais, tais como o exercício das virtudes e a freqüência dos sacramentos.

No Caminho de Perfeição, Santa Teresa não aborda todos os graus de oração que suas obras descrevem; talvez o momento não o exigisse. Expõe, contudo, os mais fundamentais e importantes. Como conclusão da breve análise sobre os diversos graus de oração, parece-nos oportuno citar aqui as próprias palavras com que conclui seu comentário ao Pater Noster:

“Admirai agora, irmãs, como o Senhor me facilitou o trabalho, ensinando-nos ele mesmo, a vós e a mim, o caminho de perfeição de que pretendi falar-vos. Deu-me a entender o muito que pedimos quando recitamos esta oração evangélica. Seja ele bendito para sempre! Por certo, jamais me veio ao pensamento que houvesse nessa oração tão grandes segredos. Como vistes, encerra e compreende todo o caminho espiritual, desde o princípio até o ponto em que o Senhor faz a alma engolfar-se em Deus e dá-lhe de beber abundantemente da fonte da água viva que está no termo da jornada. Parece ter querido o Senhor dar-nos a entender, irmãs, as grandes consolações encerradas no Pai-Nosso e o proveito imenso que dele podem tirar as pessoas que não sabem ler. Se o entendessem bem, poderiam achar nesta oração muita doutrina e consolo espiritual. Da humildade com que este bom Mestre nos ensina, aprendamos, irmãs, também a humildade. Suplicai-lhe que me perdoe o ter-me eu atrevido a falar de coisas tão sublimes” (C 42, 5-6).

[6] A bibliografia sobre a oração teresiana é abundante em estudos parciais, mas nem tanto em visões de conjunto. Entre estas últimas, podemos citar: T. ALVAREZ – J. CASTELLANO, Teresa de Jesús, enséñamos a orar, Burgos, Monte Carmelo, 1981. S. CASTRO, Ser cristiano según Santa Teresa, Madri, EDE, 1981, próprio.57-91. L. GUILLET, L'eau vive. Prière d'après Thérèse d'Avila, Paris, Mame, 1974. M. HERRAIZ, La oración, historia de amistad, Madri, EDE, 1981. VÁRIOS, Santa Teresa, maestra di orazione, Roma, Teresianum, 1963. D. DE PABLO MAROTO, Dinámica de la oración, Madri, EDE, 1973. Para uma bibliografia mais detalhada, ver o estudo deste último autor, Oración teresiana. Balance y nuevas perspectivas, in Teresianum (= EphCarm) 33 (1982) 233-281, em especial próprio. 257-264.