Tudo o que foi dito até aqui não significa que temos de limitar nossa atividade ao apostolado da oração mental e da mortificação. É certo que, por vocação, devemos ser, de certo modo, especialistas nele, porque tal é nossa missão específica na Igreja.
Mas existe outro gênero de apostolado externo do qual também devemos participar, pois, como diz muito bem a Santa Madre Teresa: Não é tempo, irmãs, de brincadeiras de crianças. Não me parecem outra coisa essas amizades do mundo, ainda quando boas. Não haja entre vós expressões como estas: 'Se me queres bem', 'não me queres bem', nem com parentes nem com qualquer outra pessoa, a menos que se tenha em vista grande fruto e proveito para alguma alma. Pode acontecer que seja necessário dispor o ânimo de vosso parente, ou irmãos, ou pessoa conhecida, mediante essas frases e expressões de afeto, sempre agradáveis à natureza. Assim vos darão ouvidos e aceitarão uma verdade. Não raro uma boa palavra como dizem dá mais resultado que muitas de Deus e abre caminho a estas. Sendo assim, visando o benefício espiritual de alguém, não vo-las proíbo. Fora deste caso, não há vantagem. São capazes de vos fazer mal sem o perceberdes. Todos sabem que sois religiosas e que tendes vida de oração. Não vos passe pela idéia dizer: 'Não quero que me tenham em boa conta.' Em honra ou descrédito para a comunidade, redundará aquilo que virem em vós (...) Este é o vosso trato e modo de falar. Quem quiser ter relações convosco, aprenda-o, se não, guardai-vos de aprender vós o seu. Seria um inferno! (C 20, 4).
A santa Madre considera tão importante este apostolado de suas filhas que insiste com vigor em outra passagem: Assim, irmãs, tanto quanto puderdes sem ofensa a Deus, procurai ser afáveis. Portai-vos de tal sorte com todas as pessoas que vos cercam, que amem vossa conversação, desejem vosso modo de viver e tratar, e não se atemorizem e amedrontem de praticar a virtude. Para vós, religiosas, isso é muito importante. Quanto mais santas, tanto mais conversadas com vossas irmãs. Ainda que vos sintais muito molestadas quando os assuntos de suas conversas não vos agradam, nunca vos esquiveis, se desejais fazer-lhes bem e ser amadas por elas. Sim, porque muito havemos de procurar ser afáveis, agradar e satisfazer às pessoas com quem vivemos, especialmente as nossas irmãs (C 41, 7).
A Santa Madre foi um excelente modelo deste gênero de apostolado. Ninguém que tenha entrado em contato com ela jamais deixou de sair mais espiritualizado. Quer se tratasse de iletrados, quer de espirituais todos ficaram não só encantados com o seu tipo de vida de oração, mas também comprometidos com ela. Basta recordar para citar alguns - os Padres Pedro Ibáñez, Domingo Báñez, o bispo D. Álvaro de Mendoza, o arcebispo D. Teotônio de Bragança, e muitos outros: sacerdotes, religiosos, leigos... Verdade é que Santa Teresa era cativante nas conversas, mas sempre com uma vertente espiritual; até em suas cartas cheias de assuntos e negócios humanos aparece, cá e lá, o matiz espiritual espontâneo e sem carolice.
Este apostolado da Madre Teresa fez um bem imenso à Igreja de Deus, que a reconheceu como sua Doutora e uma de suas grandes apóstolas, dando assim origem a uma autêntica escola de espiritualidade em que se têm destacado filhas delas, tais como Maria de São José, Santa Teresa do Menino Jesus, Elizabete da Trindade, Benedita da Cruz (Edith Stein), etc. E o notável é que não se trata de escritoras profissionais, mas sim de monjas humildes, forçadas pela obediência a escrever - como aconteceu à sua Santa Madre Fundadora -, de quem o Senhor se serviu para enriquecer a espiritualidade de toda sua Igreja.
Em uma palavra: a finalidade do ideal teresiano e de seu carisma é entregar-se completamente a Cristo e à sua Igreja. Não se pode amar um Amigo sem amar também seus interesses. E quanto maior for nossa união com Ele, mais profundamente participaremos e colaboraremos com sua missão redentora e salvífica.