4. Analogia da amizade

Para compreender melhor a definição original de oração que Santa Teresa nos deixou, precisamos dar mais um passo, ou seja, analisar mais atentamente a analogia da amizade.

Todos nós conhecemos a gratificante realidade da amizade, sabemos por experiência própria o que significa viver em intimidade com outra pessoa, quanto tempo se necessita para estabelecê-la, quanta confiança temos que demonstrar à pessoa que escolhemos como amiga. Muitos são os fatores que podem diminuir e até destruir uma amizade já estabelecida: distância, falta de comunicação, reservas, etc. E, considerando as lembranças de nossas amizades passadas, será fácil discernir as leis básicas de toda amizade verdadeira, aplicando-as a seguir à ordem sobrenatural. Assim teremos condições de ter uma imagem clara do que a Madre Teresa quer dizer quando nos fala de uma amizade íntima com Cristo. Para chegar a uma perfeita união de vontades com Cristo, deveremos procurar unir-nos a Ele de um modo semelhante à descrição que a Sagrada Escritura nos apresenta da amizade entre Davi e Jônatas, quando nos diz que “a alma de Jônatas se apegou à alma de Davi, e ele amou Jônatas como a si mesmo” (I Sm 18, l).

Portanto, para compreender o que a Santa Madre quer dizer quando nos fala da união íntima com Cristo, não será necessário recorrer a regras complicadas ou fazer filosofia barata, mas apenas estabelecer analogias fáceis de entender. A própria Madre Teresa alude em um escrito a essas leis: “Quisera com muita instância avisá-las de que procurem não esconder seu talento. O Senhor parece ter querido escolhê-las para proveito de muitas outras almas, especialmente nestes tempos em que os amigos de Deus precisam ser fortes para sustentar os fracos. Tenham-se em conta de tais os que em si reconhecerem essa graça. Saibam corresponder ao Senhor, observando as injunções (ordem formal) da boa amizade, que até o mundo exige dos seus. Se não for assim, repito, desconfiem e tenham medo de fazerem mal a si. Praza a Deus não o façam também aos outros!” (V 15, 5).

A Santa Madre sabia muito sobre “as leis que até a boa amizade do mundo exige”; assim, é-lhe fácil apontar as que devem reger a amizade com Cristo. Não cabe dúvida de que a amizade divina tem que ser purificada das imperfeições próprias de toda amizade humana; no entanto, pensamos que a analogia ajudará muito a entender o que significa querer ser ou esforçar-se para ser amigos íntimos de Cristo.