2. Contexto da definição

Todo o capítulo 8 da Vida, no qual a Santa Madre deixou a sua genial definição de oração, está cheio de idéias sobre a amizade com Cristo. Bastarão algumas citações ao acaso: “Isto vi claramente por mim. Não entendo, Criador meu, o motivo pelo qual o mundo todo não procura chegar-se a vós para travar particular amizade. Até os que são maus e não têm vossa condição, deviam aproximar-se de vós para que os façais bons. Assim acontecerá se consentirem que, ao menos duas horas cada dia, vós estejais em sua companhia, muito embora eles não fiquem em vossa companhia, mas agitados com mil preocupações, cuidados e pensamentos do mundo, como eu fazia. (...) Dos que se fiam de vós e vos querem por amigo, a nenhum matais, antes lhes sustentais o corpo com melhor saúde e dais vida à alma” (V 8, 6). Embora haja muitas imperfeições nos que a Ele se dedicam, devem ter confiança em seu amigo... porque ninguém o tomou por amigo que não fosse correspondido por Ele: “Que bom amigo sois, Senhor meu! Como tendes paciência acariciando a alma, à espera de que se amolde à vossa condição. Até que o consigais, vós suportais a sua!” (V 8, 6).

Para que uma amizade seja duradoura, requer-se uma contínua orientação para a pessoa amada. Do ponto de vista teológico, se acreditarmos em Jesus, já o amamos fundamentalmente; mas ainda falta muito para chegar a uma amizade íntima; esta requer um trato contínuo, e é para isto que serve a oração mental. Sem esse trato mútuo contínuo, a amizade não passa de algo superficial e de pouco valor.