PRIMEIRO ELEMENTO DO CARISMA TERESIANO
Jesus Cristo é o coração e a alma do Caminho de Perfeição, porque Ele é a alma e coração de toda a vida carmelitano-teresiana. Porque, realmente, renunciar a tudo, viver uma vida inteira na solidão de um mosteiro, pôr fim a todo relacionamento com o mundo exterior e não amar a Cristo é uma existência sem sentido, uma vida absurda.
A Madre Fundadora diz que, dado que o único fim de nossa vida é amar a Cristo e alcançar a união mais íntima possível com Ele, e que isto só pode ser conseguido através da vida de oração, quer explicar muito bem o que entende por essa vida de oração.
Declarando a finalidade e a missão de seu Carmelo na Igreja, escreve estas poucas mas categóricas palavras: Sendo mulher e ruim, senti-me incapaz de trabalhar como desejava para a glória de Deus. Tendo o Senhor tantos inimigos e tão poucos amigos, toda a minha ânsia era, e ainda é, que ao menos estes fossem bons. Determinei-me então a fazer este pouquinho a meu alcance, que é seguir os conselhos evangélicos com toda a perfeição possível e procurar que estas poucas irmãs aqui enclausuradas fizessem o mesmo. (...) E, ocupadas todas em orações pelos defensores da Igreja, pregadores e letrados que a sustentam, ajudaríamos, no que estivesse ao nosso alcance, a este meu Senhor, tão atribulado por aqueles a quem fizera tanto bem.(C 1, 2).
Desde o início, sentiu-se inspirada a chamar a sua pequena comunidade de São José de este pequeno Colégio de Cristo (ms. Escorial: C 20, l), imitação do Colégio apostólico fundado por Nosso Senhor; embora um dos letrados tenha riscado este título - e assim não passou à segunda redação -, não há dúvida de que, em sua mente de Fundadora, havia alguma semelhança, já que o seu primeiro propósito foi que cada comunidade fosse composta só de treze religiosas: doze pelos Apóstolos e uma - a Madre Priora - fazendo as vezes de Cristo. Contudo, a idéia não era prática e logo a modificou por causa das circunstâncias e necessidades, até que finalmente as Constituições de Alcalá (1581) estabeleceram o número de vinte. Seja como for, sua idéia fundamental de que cada convento fosse formado por um número limitado de religiosas manteve-se em seu Carmelo através dos séculos e até o presente, fazendo de cada comunidade um pequeno grupo de amigos fiéis de Cristo.