3. Elogios merecidos

Não existia nenhum livro particular que tratasse de avisos para a instrução de noviças. Historicamente, a primeira Instrução de noviças deveu-se à pluma de uma filha predileta da Santa, a Madre Maria de São José (Salazar), que redigiu o livro em 1602, cujo original foi recentemente identificado e editado pelo Instituto Histórico Teresiano de Roma. No Prólogo, a autora diz-nos que decidiu-se a escrevê-lo porque a própria Santa, poucos dias antes do seu glorioso trânsito, mandou que redigisse alguns avisos para proveito das irmãs. Ali também alude, “embora pareça algo de vaidade”, à carta que a Santa Madre escreveu-lhe em 17 de março de 1582: “Se o meu parecer devesse ser ouvido, depois de morta a escolheriam como fundadora, e ainda em vida de muito bom grado, pois sabe muito mais do que eu e é muito melhor.” De toda maneira, a Santa não sentiu urgência alguma de escrever um livro separado, talvez por ter pensado que todas as instruções que tinha de dar às suas filhas já se encontravam no Caminho de Perfeição.

Agora eu poderia citar uma série dos muitos e bem ponderados elogios que este livro fundamental da Madre Fundadora mereceu através dos séculos. Por amor à brevidade, limitar-me-ei a dois: “A meu parecer - escreve Cunningghame - Teresa oferece-nos o melhor de si mesma no seu Caminho de Perfeição, tanto com seus ímpetos de apaixonada eloqüência como em sua perspicaz e cáustica ironia, seu agudo e profundo conhecimento da natureza humana, quer se trate de pessoas que vivem no convento ou fora dele. Sobretudo, Teresa dá-nos o melhor de si mesma em sua terna e sensível adaptação às necessidades e dificuldades de suas filhas». Por sua vez, Hoornaert escreve: “Este livro contém as instruções espirituais que Santa Teresa deu às suas primeiras filhas do Carmelo de São José de Ávila... O Caminho de perfeição espelha sua vida ativa, a direção de suas filhas e suas preocupações apostólicas através de sua vida em São José. É uma obra comovente de juventude e força, com um estilo de uma concisão militar: a Fundadora quer lançar suas filhas a conquistas espirituais; sua doutrina é principalmente ascética, mas a mística não está totalmente ausente.”