6. Conclusão
Santa Teresa acatou o Índice de Livros Proibidos (1559) durante todo o tempo em que viveu no mosteiro da Encarnação; três anos depois, contudo, quando fundou o pequeno convento de São José de Ávila (1562), colocou a oração mental como pedra angular do novo gênero de vida religiosa, quer dizer, reuniu ao seu redor um pequeno grupo de "mulheres ignorantes" consagradas à vida de oração. Mas logo surgiu o problema: como formá-las na vida de oração, se todos os livros que tratavam do assunto haviam sido proibidos e incluídos no Índice? Muito simples: ela mesma escreveria um livro sobre a oração, o Caminho de perfeição. Mas para evitar todo perigo, não o submeteria à censura de um "espiritual", e sim à de um "letrado", o Pe. García de Toledo, teólogo dominicano e decidido "antifeminista"; uma vez obtida sua aprovação, poderia ter a certeza de que seu livro estava isento de todo erro.
Como se pode notar, foi uma iniciativa realmente audaz e corajosa de sua parte. Tratava-se de um verdadeiro carisma? Hoje, com o distanciamento de quatro séculos, até podemos olhar com uma certa simpatia para todos aqueles que se opuseram aos planos da Madre Teresa, considerando-os como sonhos loucos de uma mulher inquieta. Cabe direta e exclusivamente à hierarquia avaliar e aprovar a autenticidade de qualquer carisma na Igreja. Pois bem, foi a Santa Sé que, ao conceder, em 7 de fevereiro de 1562, a autorização para que fundasse o mosteiro de São José de Ávila, aprovou o gênero de vida teresiano como um autêntico carisma concedido por Deus à Madre Teresa para proveito de sua Igreja.