O DIA A DIA NO CARMELO

O cotidiano do Mosteiro São José desenrola-se de acordo com as normas estabelecidas na Regra e Constituições dadas por Santa Teresa de Ávila.

HORÁRIO:

04:30 – Despertar

04:50 – Recitação de Laudes (Liturgia das Horas)

05:15 às 06:15 – Oração mental

- Intervalo para realização de algumas tarefas caseiras

07: 00 – Recitação da primeira Hora Média (Liturgia das Horas)

07:15 – Santa Missa conventual, aberta também à participação dos fiéis

- Após alguns momentos de oração pessoal, café da manhã.

- Realização dos trabalhos do Mosteiro

10: 55 – Recitação da segunda Hora Média (Liturgia das Horas)

11: 15 – Almoço

12: 00 – Recreação em comum

13: 00 – Silêncio rigoroso e descanso

14: 00 – Recitação da Terceira Hora Média (Liturgia das Horas)

14: 20 – Leitura espiritual na cela – Lectio Divina

15: 00 – Retorno aos trabalhos do Mosteiro

16: 40 – Recitação de Vésperas (Liturgia das Horas)

17: 00 às 18: 00 – Oração mental

- Em seguida Jantar

19: 00 – Recreação em comum

20: 00 – Recitação das Completas (Liturgia das Horas)

20: 20 – Momento de silêncio rigoroso – estudo na cela

21: 30 – Recitação do Ofício das Leituras (Liturgia das Horas) e reza do terço de Nossa Senhora

22: 15 – Repouso

No Mosteiro São José de Ávila, berço da Reforma, tudo foi organizado de maneira que a vida contemplativa na solidão, fosse um meio propício para se atingir a nobre finalidade do Carisma. Até hoje, cada Carmelo, com poucas diferenças adaptadas às diversas regiões do mundo, procura seguir fielmente os nobres ideais de Santa Teresa.


— cada Irmã possui sua própria cela, pequena, sóbria e pobre, onde deve permanecer a maior parte do tempo, cumprindo o que ensina a Regra: “Meditar dia e noite na Lei do Senhor”.


— Clausura estrita, onde existe uma separação radical do exterior, para conseguir o desprendimento interior, e encontrar no Esposo - JESUS – a água viva da contemplação em uma feliz experiência de fraternidade em Cristo: Estar a sós com o Só. ”A clausura tem a finalidade de salvaguardar a liberdade e a harmonia da vida comunitária. Se Santa Teresa insiste tanto na importância da solidão, é porque a considera como um elemento indispensável para a vida de oração e “só com nossa oração e a nossa entrega total a Deus podemos ser úteis à Igreja”.


 

— O trabalho, como a leitura espiritual e a oração não litúrgica, realizam-se solitariamente. Durante grande parte do dia as monjas estão obrigadas a guardar silêncio rigoroso e quando é necessário se comunicarem, devem fazê-lo com poucas palavras ou através de bilhetes ou sinais.



— O convento, de aparência austera e simples, é cercado por muros altos e em seu interior, abriga um grande jardim, que deve convidar ao silêncio e à contemplação.


É de tradição monástica, ter uma fonte no centro do jardim do claustro que simboliza a Árvore da Vida colocada por Deus no meio do Paraíso, e os 4 lados do quadrângulo são os 4 rios que corriam pelo Jardim do Éden. Há um simbolismo que herdamos dos antigos monges: Ao passar todos os dias pelo claustro, deveriam se recordar de que eles também são convidados a fazer a mesma experiência de intimidade que Adão e Eva tinham com Deus, antes do pecado original “... QUE VINHA PASSEAR NO JARDIM, À HORA DA BRISA DA TARDE” (cf. Gen 3, 8). É comum em alguns Carmelos ter uma Cruz, que representa a nova Árvore da Vida, onde Cristo, o Novo Adão, deixou correr de seu Coração transpassado a água regeneradora da salvação... “JESUS CRISTO É A ALMA E O CORAÇÃO DE TODA VIDA CARMELITANO - TERESIANA”.


— Santa Teresa deu ao Carmelo uma característica eremítica: Nos Jardins a Santa mandou construir várias ermidas, onde as Irmãs podiam se recolher em oração, à maneira dos santos padres do MONTE CARMELO: “... O ESTILO DE VIDA QUE PRETENDEMOS TER NÃO SE LIMITA A SERMOS MONJAS, MAS TAMBÉM ERMITÃS...”


— Preside a comunidade teresiana a Madre Priora, que governa o Mosteiro em qualidade de Superiora maior por um período de três anos, no fim do qual, através de uma votação, é escolhida uma outra Irmã da própria Comunidade. A Priora é vínculo de união e de amor entre as Irmãs, preside-as, guia-as e as acompanha no caminho da vocação, solícita pela observância fiel da Regra e das Constituições.


— Participamos da Santa Missa todos os dias em nosso próprio Mosteiro. A Eucaristia é sinal e vínculo de caridade, une a comunidade em um só corpo e em um só espírito, "mediante a participação no único pão e no único cálice".


— Outra característica importante de nossa vida contemplativa é “a participação na oração de Cristo que tem sua expressão mais alta na SAGRADA LITURGIA e prolonga-se durante o dia enriquecendo a oração pessoal. Na Eucaristia a carmelita passa a ser a ”voz da Igreja” que na Liturgia da Horas - conforme expressa o Sl 118,164: ”7 vezes ao dia proclamo os vossos louvores”- fala a seu Esposo e com Ele louva o Pai em nome da humanidade. Aí participa, ao mesmo tempo e a seu modo, no sacerdócio de Cristo e exerce o seu próprio sacerdócio real de amor, elevando o mundo para Deus e intercedendo por ele. Pela força do Espírito, que lhe é comunicada na mesa e no louvor eucarístico, ela permanece viva e ativa no coração missionário da Igreja, colaborando assim eficazmente para a vinda do Reino”.


— No Carmelo, a Virgem Santíssima, Mãe de Deus, é considerada particularmente como Mãe e Padroeira. Sinal de consagração a ela é o escapulário que trazemos sobre o hábito.


— “Todavia vos reunireis e comereis em refeitório comum o que vos for dado como esmola, ouvindo em silêncio a Sagrada Escritura”. (Regra, 4) “Na mesa comum, símbolo da comunhão fraterna, as Irmãs tomam com gratidão e alegria os alimentos, presentes da Providência divina e fruto do próprio trabalho.”


— Sem contradizer o espírito eremítico que definia sua essência, Santa Teresa não deixou de implantar e fomentar uma SÓLIDA VIDA COMUNITÁRIA. Para ela, o amor e a intimidade com Deus através da oração e da contemplação, deveriam concretizar-se em frutos de caridade que se manifestam na vida comum. Por isso há um paralelo no nosso dia a dia, duas horas de oração mental e duas horas de recreação. Entre as filhas de Teresa NÃO há qualquer distinção de classe ou origem familiar; TODAS SÃO IGUAIS! E instituiu no programa de vida, após as duas grandes refeições do dia, duas horas de recreio, onde as Irmãs podem partilhar suas alegrias e num clima de grande descontração, recrearem-se conversando. Nos dias de semana costuma-se realizar trabalhos manuais e nos Domingos e festas, pode-se recitar poesias, cantar e tocar instrumentos musicais e fazer encenações teatrais.