III DOMINGO DA QUARESMA

“No Evangelho (Lc. 13, 1-9) Jesus alerta que as catástrofes não devem ser interpretadas como castigos pessoais, mas como apelo de conversão para os sobreviventes. Deus concede o tempo necessário para se produzir em frutos de boas obras. Importa aproveitá-lo como tempo propício, vivendo a conversão.

jesus pregando

O Senhor espera frutos da figueira, espera frutos de nossa vida cristã. A parábola põe em relevo a paciência de Deus na espera desses frutos. Ele não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva ( Ez. 33, 11) e, como ensina São Pedro, “usa de paciência convosco, não querendo que alguns pereçam, mas que todos cheguem à conversão” (2Pd. 3, 9). Esta paciência, ou essa clemência divina, não nos pode levar a descuidar os nossos deveres, assumindo uma posição de preguiça e comodidade que tornaria estéril a própria vida. Deus, ainda que seja misericordioso, também é justo, e castigará as faltas de correspondência à Sua graça.

Que seria de um Evangelho, de um cristianismo sem Cruz, sem dor, sem o sacrifício da dor?, perguntava-se Paulo VI. Seria um Evangelho, um cristianismo sem Redenção, sem Salvação, da qual – devemos reconhecê-lo com plena sinceridade – temos necessidade absoluta. O Senhor salvou-nos por meio da Cruz; com a Sua morte, devolveu-nos  a esperança, o direito à Vida…” Seria um cristianismo desvirtuado que não serviria para alcançar o Céu, pois “o mundo não pode salvar-se senão por meio da Cruz de Cristo.

O cristão que vive fugindo sistematicamente do sacrifício, que se revolta com a dor, afasta-se também da santidade e da felicidade, que se encontra muito perto da Cruz, muito perto de Cristo Redentor. “Se não te mortificas, nunca serás alma de oração” (Sã Josemaria Escrivá – Caminho, 172). E Santa Teresa ensina: “Pensar que (o Senhor) admite na Sua amizade gente regalada e sem trabalhos é disparate”.

Mons. José Maria Pereira